Le Pays De France - Na ONU, Trump ameaça Irã e relembra América Latina do poderio militar dos EUA

Paris -
Na ONU, Trump ameaça Irã e relembra América Latina do poderio militar dos EUA
Na ONU, Trump ameaça Irã e relembra América Latina do poderio militar dos EUA / foto: © AFP

Na ONU, Trump ameaça Irã e relembra América Latina do poderio militar dos EUA

Ao discursar na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou levar o Irã "ao inferno" se não for alcançado um acordo, e advertiu que não hesitará em usar o "poderio militar sem igual" dos Estados Unidos na América Latina para defender seus interesses.

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Os Estados Unidos voltaram a ser "respeitados" no mundo, vangloriou-se Trump, no início da Assembleia Geral, durante a qual assinou um acordo de segurança para instalar duas bases militares na Groenlândia.

- Um acordo ou "o inferno" para o Irã -

Imerso em uma guerra sem indícios de acabar e com o panorama eleitoral desfavorável no curto prazo, Trump ofereceu uma alternativa taxativa a Teerã.

"Tenho que tomar uma decisão importante: haverá um acordo com o Irã?", questionou o republicano no púlpito da ONU. Ou "vou arrastá-los para o inferno, sem possibilidade de sobrevivência?", emendou.

"Estão esperando para ver como vou me sair nas eleições de meio de mandato. O que não percebem é que não sou candidato", advertiu, em alusão às eleições legislativas de 3 de novembro, que renovarão parcialmente o Congresso americano.

Antes do discurso triunfalista do presidente americano, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pintou um horizonte sombrio para o planeta, citando a ameaça das mudanças climáticas e o desafio da inteligência artificial (IA) em seu último discurso na assembleia.

"Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", afirmou, por sua vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro a discursar.

- "Poderio militar" dos EUA na América Latina? -

Trump afirmou que os Estados Unidos vão reafirmar seus interesses em todo o mundo, a começar pelos vizinhos mais próximos.

No norte, levou a melhor na queda de braço com os países europeus, e conseguiu assinar em Nova York um novo acordo de segurança com a Dinamarca e a Groenlândia, que lhe permite construir duas bases militares para vigiar o Ártico.

No sul, "os Estados Unidos não vão mais permitir que as ameaças contra a América Latina ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual", advertiu.

Os membros dos cartéis do narcotráfico "deveriam ser executados, exilados ou presos", disse.

Em fevereiro do ano passado, o presidente declarou estes grupos como "organizações terroristas", e meses depois iniciou uma campanha de ataques militares contra supostas narcolanchas no Caribe e depois no Pacífico, com mais de 200 mortes até agora.

"Ninguém acreditava que fosse possível", gabou-se.

O poderio militar americano não tem comparação, disse Trump. "Nossas ações na Venezuela são prova disso", acrescentou.

No salão da Assembleia Geral estava a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com quem Trump tem previsto um breve encontro ainda nesta terça-feira.

Em janeiro passado, forças americanas capturaram e tiraram do país o então presidente, Nicolás Maduro, e a esposa dele, em uma audaciosa operação noturna.

Trump criou uma aliança de segurança regional, o Escudo das Américas, com governos conservadores aliados na América Latina, com os quais também vai se reunir em Nova York.

"Cuba cairá", advertiu o presidente americano em seguida.

"O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba", disse.

"O governo dos EUA parece incapaz de aceitar que Cuba é, e tem o direito de ser, um país plenamente independente e soberano", escreveu no X o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, que lidera a delegação da ilha em Nova York.

- Democracia, IA e clima -

O presidente Lula, que disputará a reeleição em outubro, afirmou que "a democracia está novamente em xeque".

Embora no púlpito não tenha nomeado o presidente Trump diretamente, o petista disse na semana passada que tinha previsto dizer ao republicano em Nova York que não se metesse nas eleições brasileiras.

Trump apoiou vários candidatos de direita vitoriosos em eleições em outros países latino-americanos.

Dirigindo-se aos líderes mundiais, Guterres afirmou que o planeta vive uma crise climática contínua.

Por décadas, as grandes empresas de petróleo trataram a atmosfera como um "depósito de lixo" e "lucraram com as consequências".

Além disso, Estados Unidos e China devem cooperar frente aos desafios da inteligência artificial, pediu o secretário-geral da ONU.

Trump, por sua vez, rejeitou "qualquer tentativa de construir um projeto globalista para controlar a inteligência artificial", e disse que os Estados Unidos vão passar a denominá-la como "superinteligência".

(O.Agard--LPdF)