Burnham consegue vaga no Parlamento britânico e inicia batalha trabalhista para derrubar Starmer
O trabalhista Andy Burnham conquistou uma vaga no Parlamento britânico nesta sexta-feira (19) ao vencer uma eleição suplementar no norte da Inglaterra, o que abre a batalha para derrubar Keir Starmer da liderança do partido e também como primeiro-ministro.
Burnham, 56 anos, prefeito da Grande Manchester desde 2017, venceu a eleição na circunscrição de Makerfield e garantiu uma cadeira na Câmara dos Comuns, condição indispensável para poder desafiar Starmer, impopular dentro do próprio partido.
"Eu falo ao meu próprio partido: esta é a última chance para mudar", declarou Burnham em um discurso de agradecimento após a vitória, com quase 55% dos votos.
"Temos que fazer a coisa certa", acrescentou Burnham, que já expressou o desejo de desafiar Starmer, antes de destacar que sua vitória pode ser um "ponto de inflexão" para o país.
Por sua vez, Starmer insistiu nesta sexta-feira que enfrentará qualquer rival que apresente a candidatura para tentar derrubá-lo da liderança do Partido Trabalhista e como primeiro-ministro.
"Se houver uma disputa, então sim, eu vou me apresentar, vou competir. Já disse isso várias vezes. Não vou me afastar do cargo de primeiro-ministro", declarou Starmer em Londres, depois que Burnham foi eleito deputado.
- Starmer questionado -
Desde que assumiu o poder, a popularidade de Starmer, de 63 anos, não para de cair, em um cenário de economia estagnada e aumento do custo de vida.
Além disso, seu governo foi abalado pelo escândalo da nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O governo trabalhista sofreu um grande revés nas eleições municipais de maio, perdendo quase 1.500 vereadores, e vários ministros renunciaram a seus cargos.
Na eleição parcial de quinta-feira, o prefeito da Grande Manchester, cargo ao qual terá que renunciar, superou amplamente em Makerfield o candidato do partido anti-imigração Reform UK, o encanador Robert Kenyon, que obteve 34,5% dos votos.
Burnham, com posições mais à esquerda do que Starmer dentro do Partido Trabalhista e que é considerado o político mais popular do país neste momento, segundo as pesquisas, precisará obter o apoio de 20% dos deputados de seu partido no Parlamento para forçar uma votação e desafiar o primeiro-ministro.
"Não penso que seria bom para o país mergulhá-lo no caos, agora que Andy venceu", declarou Starmer nesta sexta-feira.
O trabalhismo venceu as eleições gerais de julho de 2024 com a maioria absoluta de 403 deputados, após 14 anos de governos conservadores. Um deputado que aspire liderar os trabalhistas e substituir Starmer precisa do apoio de 81 representantes eleitos para forçar uma votação.
- Revés para o Reform UK -
O triunfo da ala mais à esquerda do Partido Trabalhista representa um duro revés para o Reform UK e seu líder, Nigel Farage, que lidera todas as pesquisas nacionais há vários meses.
Farage e seu partido anti-imigração, grande vencedor das eleições municipais de maio, esperavam transformar a eleição suplementar em uma demonstração de força antes das eleições legislativas de 2029.
O Reform UK venceu na circunscrição de Makerfield nas eleições municipais de maio, mas não conseguiu conquistar a disputa pela cadeira no Parlamento diante da popularidade de Andy Burnham.
Além disso, o Reform UK foi prejudicado pela concorrência do partido Restore Britain, que está mais à extrema direita, cuja candidata ficou em terceiro lugar com 6,8% dos votos.
Burnham, que foi membro do Parlamento de 2001 a 2017, além de ministro da Saúde, tomará posse como deputado na segunda-feira.
Na quarta-feira, Starmer disse que estava disposto a oferecer a Burnham um "papel importante" em seu governo, em uma tentativa de evitar o desafio que se aproxima, uma ideia que, segundo a imprensa, foi rejeitada pela equipe do então prefeito da Grande Manchester.
Além de Burnham, outro aspirante ao posto de Starmer como líder do trabalhismo é o ex-ministro da Saúde Wes Streeting, que renunciou ao cargo em maio.
Streeting, da ala mais conservadora do partido, renunciou após o revés trabalhista nas recentes eleições municipais de maio.
(F.Moulin--LPdF)